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segunda-feira, 18 de março de 2013

INAUDIÊNCIA




"Falhamos ao traduzir exatamente o que se sente na nossa alma: o pensamento continua a não poder medir-se com a linguagem." Henri Bergson

Existe uma essência em cada um de nós. A minha me foi revelada no som. A noite me sou.  A noite me é em essência na ínfima parte desse ser que sou.

Úmida do orvalho, bruma em breu de ventos frios e estrelas reluzentes. Não me caminho, pois vagueio na força da brisa-vento gotícula que se ilumina no vagalume. Confundo a lua antes do amanhecer no azul marinho celeste. Cortina que me descobre no perfume das flores noturnas e das folhas secas por que piso sem deixar marcas das passadas.

Sinto o noturno como força que me guia à luz para não chocar os olhos não mais cativos da cegueira de quem anseia a luz sem cair em sua noite lenta e profunda de amor mesmo com perigo de morte.

Tudo isso é sorte para a vida que se tece além do horizonte onde o brilhante astro despontará seus primeiros raios de suposta verdade para os tanto pacientes quanto impacientes por querer receber a saudade em moça-mito crescente em orfandade divina dos deuses que não a podem assumir como filha.

Sou a flor, a estrela, a água corrente, o pio da coruja, o vento escuso, o galho torto, a folha nova e a morrente:  misturas inerentes de quem se funde à natureza como ciência de sua pequenez inaudiência.

AndreiACunha








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