segunda-feira, 6 de março de 2017

ASSOMBRAZ-CUBAS



Aos pretensos detentores do poder digo-vos não é com emplastro que se curam as dores da alma... Inútil fui, deixei-me enlevar nessa vida de “futilezas”. 
Cavalguei um hipopótamo e deparei-me com a inexistente natureza humana. Delirei-me e resgatei toda a minha existência tendo em vista os primórdios repetitórios e repetidos ante meus olhos vistos...  Sorte a minha ter tido a sabedoria de não ter tido filhos embora os quisessem. Não seria bom pai como fui bom amante no auge do amor. 
Percebi que na morte não se desintegra, mas se reintegra a um uno maior que nos proporciona esse reencontro anormal fora da matéria. 
Sinto os vermes roendo-me ainda desde a data desses escritos no século xix. E apesar da longa data desse fatídico verme vejo que muitos ainda sonham com o emplastro que poderia vir a curar as dores que também vivenciei em vida. 
Cobrer-me-ia desse emplastro e ainda assim não poderia curar minha alma nem livrar-me do vento que assomou meus pulmões ao abrir a janela em busca de ar fresco... Aliás, ar fresco que nunca procurei, respirei-me em ares viciados borbolete-ei-me como aquela negra que posou naquela que enganei por ser bela, porém manca.
Manco fui “não nada fiz” neguei uma vida como em pausa de jogo infantil no lançar de dados e esperar a próxima jogada. Desperdicei-me. Pretensiosamente vi e vejo desmanchando-me nessas palavras pois não tenho mais corpo a não ser daqueles que por ideia assumem esse caráter que outrora tive e ainda tenho nesse desnarrar-me. Sou Braz, o Cubas de meu pai.


ac