ABSTRATO AMOR




Quantos gritos teremos de sufocar para alcançar a tão sonhada liberdade?
O ideal não é gritar, não é sufocar e muito menos se desesperar.

O universo não é surdo.
Basta sussurrar-lhe aos ouvidos
Para que sejamos atendidos conforme nossa dignidade.


Porém, onde estão os ouvidos do Universo
Que com sufoco procuramos o atendimento?


Tudo é uma questão de arte: a do falar, a do ouvir
E também a do sentir os sinais que a natureza nos envia
Nós é quem somos os surdos, cegos e mudos
Para a linguagem do invisível
Que com paciência nos ensina
Mesmo que com dor a suave canção 
Há que ser sonhador


Não existe ouvido com forma de ouvido
Não existe boca com forma de boca
Nem corpo humano
Para o Supremo Criador


O que somente existe tem nome
E este abstrato se prefigura Amor

Andreia Cunha