MAPA SINTÁTICO SINTÉTICO ANALÍTICO



VIDA
SAUDADE
SONHO NO CORPO
ETERNO ENCONTRO
DO MEU JUNTO AO TEU
SOMOS ENCANTO DE CONTOS
MUITO OU MAIS DO QUE LOUCOS
TESOURO PERDIDO
VONTADE 
E PONTO.
X

andreiACunha





CRIADO




Abriu o livro como quem abre os olhos para o mundo.

Antes, ingênua, não percebia a vida, seu jogo velado criado pelos participantes mais atentos.
Tudo agora lhe parecia novo. Uma pequena mudança de foco a fazia perceber a escuridão e o mais importante aprendia cada dia mais a enxergar através dela.

Não era necessariamente a luz que abrigava os seres contra o mal ou os protegiam com seu suposto bem. Era basicamente a noção do tamanho do seu escuro interior que a faria encontrar meios de alumiar seus espaços.

Era nas palavras que o enigma se escondia e muito bem perante a inércia, a preguiça e o descaso do homem – bichinho tão pretensioso e repleto de vaidades distorcidas em seus espelhos.

Naquele momento, de livro aberto e mente ainda inebriada a vida se revelava bem acima das peças do dominó com seus números marcados e subdivididos por uma barra. As peças, antes um mundo individual, vistas de cima pareciam apenas figuras soltas e ingênuas e não mais muralhas deitadas inescaláveis com os pontos pretos em imensas depressões.

Era boa, muito boa a sensação de despertencimento, despregamento do chão pela lei da gravidade. Pena que demorara tanto para sentir esse amadurecimento sensorial. Talvez houvesse um motivo ainda escondido nas mangas do Sr Destino.

- Sr Destino.

No entanto, percebia também que personificá-lo era uma fuga de sua própria trajetória de vida. Estava vivendo, vivenciando o que consequentemente construíra por descuido ou excesso dele.
Nomear é tomar posse do antes inominável, mas quando o ato apenas joga o jogo das culpas e desculpas as regras são alteradas e, sobretudo, era essa a artimanha que estava aberta a entender.

O livro não continha só palavras, era em seus mudos, em seus pontos cegos que a surdez dela, leitora, se curava. Haveria de ouvir quando bem quisesse e quando não quisesse teria a escolha como opção.

Desviaria das sombras do medo presentes na escuridão sob as capas do terror no abrir da mente como se abre uma porta em meio a um labirinto. Do alto era possível ver. Sentir. Perceber que não era criada para criado. Que os criados não são apenas os mudos engavetados. As páginas podem ser viradas, lidas e relidas, até o fechamento e a abertura por outrem interessado em seu conteúdo. O belo mistério do escritor-criador.

Não sabia o motivo da criação e apesar de o desconhecer essa era a liberdade que teria de aprender a apreender. Viver e Com viver.

andreiACunha









...MORRER NA PRAIA




...MORRER NA PRAIA

Nascera e o simples ato em si era uma festa... A vida se multiplicava mais uma vez como enfim continuaria a acontecer se a deixassem seguir livre curso pela natureza.

Picara o ovo e dali saía feito novo bebê desconhecendo o real mundo para o qual estava ressurgindo como ave. Mal sabia o que se era. Mas seus olhos, pequenas jabuticabas, tentavam vislumbrar o que seria dali pra frente.

Papai e mamãe em redor aplaudiam a coragem do pequenino e desde então já assumiam a responsabilidade pela vida que ambos formaram pelo desejo misturado a um especial carinho de recriarem-se num só.

Belo, arrepiado e já alimentado pelas bocas com a comida, sopa empapada, que o manteria até ter condições de ele mesmo se sustentar.

Seria o momento glorioso que abriria suas asas e seria como os pais, livre para alçar novos voos e enfim reinventar seu destino. Re-repetir o repetido sempre transformador apesar de contínuo em notas rés em sinfônica harmonia da vida em profusão. 

Tudo perfeitamente sublime não fosse a massa pestilenta e destruidora que se prefigura em mão humana que por maldade disfarçada de falta de educação, descuido e falta de importância com seus ínfimos atos deixa seus restos se proliferarem tão grandemente quanto a  sutileza da mãe natureza em suas mais espontâneas manifestações.

Famílias inteiras antes unidas em festa agora choram a perda de milhares que ingenuamente confundem tampinhas, quinquilharias humanas industrializadas  com comida. Almas em anjos aves agonizam seus momentos sem saber que a vida não é só aquilo. 

Que a vida não é só...

andreiACunha







INESPERADO ÓBVIO (OU PARA MEU AMOR SABER)




Na esquina, o inesperado não mais me surpreende. Estou repleta de surpresas do teu eu que chegou antes de dobrá-la. Fui, a bem dizer, acordada por essa suave esperança que veio a meu encontro enquanto vislumbrava em outra direção.

Olhava à direita, à esquerda e vieste do óbvio. O óbvio que por sinal deixou de sê-lo nessa carta sem contrato. Tamanho mistério em enigma criptografado ainda não me clareou os sentidos embora estes estejam mais do que aflorados.

A pele exalando o perfume em flor desmancha toda a velha expectativa antes diluída nas sombras do meu eu. Agora somos nós. Emaranhados por vocação e desejo de assim se ser e se sentir. 
A nuvem desanuviou o sol que voltou a brincar com as meninas dos olhos meus com os agora revelados teus.

A ciranda em perfeita dança faz o sonho flutuar no meio dessa roda que é a vida em impulsos. Nossos pulsos, ansiantes desse ar, seguem o ritmo do sangue sereno a borbulhar nesse oceano místico menino de nossos corpos a suar.

Adolescentes vestígios de um amor nascendo desse encontro terra e água em amor semente prestes a brotar. Nada menos importa do que deixar seguir seu curso, movimento desse espelho reflexo meu nos olhos teus.

andreiACunha





ÁGUA-TERRA




Tudo nos leva a brotar
A florir o amor em primavera
Tu,Água: Inesperada e sorridente
Eu,Terra: inquieta  e insegura
Éramos até então apenas desconhecidas criaturas
A espera do encontro
Em meio à chuva que surpresa nos marcou
Bela flor saiu contente
Marota no seu nascer
Criança nos olhos
Meninas na entrega do momento mundo

andreiACunha





O FOCO DOS FATOS





Para onde os olhos se voltam ali está o foco. O que se esconde quando este olhar é direcionado de maneira controlada? Quando esse enviesamento procura deslocar o que antes se tinha como direção?

Algo muda matematicamente em questão de ângulos e graus, pois o corpo muda sua postura passa a ter outro norte e o que antes era o alvo evidente de ação sai da berlinda por um ato violento de deslocamento do olhar.

Talvez não se já claro para a grande maioria, no entanto, deslocar, enviesar e ou desfocar para outro ponto acaba por si transformando outra questão mais importante que a anterior.
Não se fala aqui em fatalidades, fala-se de algo pensado, calculado.

Politicamente há desejos, interesses obscurecidos que não se revelam na medida do tempo em que o fato acontece. Geralmente, é o distanciamento temporal que esclarece pelas vias históricas quem procura o entendimento mais esclarecido pelo assentamento dos acontecidos.

Crises de valores sejam estes morais, monetários culturais e ideológicos se chocam com os atos, os fatos que criam ou são criados para amenizar rumores e revoltas. Talvez seja uma atitude desesperada de conter o que se prevê para longo prazo. Seria uma guerra, um estopim de intolerâncias encobertas pelas vertentes politiqueiras não necessariamente governamentais e partidárias?

Mexer e remexer com sentimentos são as melhores maneiras de mobilizar olhares coletivos elevar e rebaixar conceitos, arrebanhar ou dispersar mentes e controles. Nada nesses quesitos são impensados ou ingenuamente decididos por apenas um só ser. Há um esquema que decide quais as melhores atitudes a serem tomadas e como se guiará a maioria.

Nisso tudo, claro fica que não há despropósitos nem desprendimentos individuais.

Algo há. Basta pensar e aprofundar.

andreiACunha





ENTRE TANTOS




Não não sei é medo, desejo ou apenas ilusão
Sim, receio, anseio e sonho
Mas fujo-me na água dos insanos
Na fuga dos doentes
Em meio ao leito indecente
Do rio em corrente.

Acorrento-me
Na terra semente
E não me deixo nascer
Sou frio quente
Denso e impotente
Para lidar com essa mente
Que tenta ser mais um
Entre-tantos entes

andreiACunha